Nos primeiros meses de vida, a maioria dos bebês chora com frequência, tem dificuldade para dormir ou parece estar sempre desconfortável.
Além da privação do sono, as mães, ainda se acostumando com o puerpério, também precisam lidar com a preocupação de não saberem exatamente como acalmar o bebê recém-nascido.
Se esse é o seu caso, entender o que se passa com o seu pequeno nesse período é o primeiro passo para acolhê-lo com empatia.
A teoria da exterogestação, proposta por diversos estudiosos do desenvolvimento humano, parte da ideia de que o bebê humano nasce antes de estar completamente pronto para o mundo. Isso acontece porque nossa espécie se tornou bípede, o que alterou a estrutura da pelve da mulher, limitando o tempo que o bebê pode permanecer no útero.
Por esse motivo, os três primeiros meses após o nascimento são muitas vezes chamados de “quarto trimestre”, um período de transição em que o bebê ainda precisa de muito acolhimento, como se estivesse, de certa forma, continuando a gestação fora do útero.
Essa imaturidade é visível: entre todos os mamíferos, o ser humano é um dos que nascem mais indefesos e dependentes.
O bebê não sabe se alimentar sozinho, não controla seus movimentos, não regula sua temperatura e ainda não entende o que está acontecendo ao seu redor. Por isso, quanto mais o ambiente externo puder mimetizar o ambiente intrauterino, mais segurança e tranquilidade o bebê sentirá, e maior será a chance de ele se acalmar e relaxar.
Com base nesse princípio, o pediatra norte-americano Dr. Harvey Karp desenvolveu o conceito dos 5S, um conjunto de estratégias práticas que simulam as sensações do útero e ajudam o bebê a se acalmar.
Embora nem todos os bebês respondam da mesma forma, essas técnicas são amplamente reconhecidas e utilizadas por famílias e profissionais do mundo todo.
Nos tópicos seguintes, vamos apresentar as principais e mais eficientes estratégias para acalmar o recém-nascido. Nosso objetivo é te ajudar a atravessar o puerpério com mais leveza e segurança, criando um ambiente de acolhimento que favoreça o bem-estar emocional do seu bebê e da família como um todo.
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Recorra a um ruído branco para acalmar o bebê recém-nascido
Uma das estratégias mais eficazes para acalmar o bebê recém-nascido é o uso do ruído branco (shush): um som contínuo, com frequência estável, que remete às sensações que o bebê experimentava dentro do útero.
Lá dentro, o ambiente estava longe de ser silencioso. Ele ouvia o som do sangue correndo, do coração da mãe batendo, da digestão, da respiração… e tudo isso formava uma espécie de “fundo sonoro” que hoje pode ser simulado por diferentes meios.
Você pode fazer o ruído branco com a boca, produzindo um som contínuo como um “shiii” prolongado, bem pertinho do ouvido do bebê, enquanto o segura com carinho e gentileza.
Também é possível usar músicas de ninar suaves ou dispositivos específicos de ruído branco, que emitem sons como o do chuveiro, do aspirador de pó, da coifa ou de uma ventoinha.
Esses sons devem ser usados com atenção: não precisam estar muito próximos ao ouvido do bebê, apenas preencher suavemente o ambiente com um fundo sonoro constante.
O grande benefício do ruído branco é que ele ajuda o bebê a relaxar e, ao mesmo tempo, amortece os sons inesperados do ambiente, como o latido de um cachorro ou uma porta batendo, evitando que o bebê se assuste e chore.
Você pode usar o ruído branco durante uma crise de choro, na transição para o sono, durante o banho ou sempre que sentir que o bebê precisa de mais aconchego. É uma estratégia simples, natural e surpreendentemente eficaz.
Balance o seu bebê
Outra estratégia poderosa para acalmar o bebê é balançá-lo suavemente, com movimentos contínuos e rítmicos (swing). Esse tipo de movimento remete diretamente à experiência intrauterina, pois dentro da barriga, o bebê vivia imerso em líquido e era constantemente movimentado, especialmente quando a mãe caminhava ou se mexia.
Ele estava habituado a esse “balanço constante”, que o fazia sentir seguro e acolhido. Por isso, o embalo tranquilo ajuda o bebê a relaxar, a se sentir protegido e até a adormecer com mais facilidade.
Muitas vezes, é por esse motivo que os bebês começam a chorar assim que o adulto que os segura senta ou para de se movimentar. O corpo deles sente essa “parada” como uma mudança brusca, enquanto o movimento transmite calma.
Vale lembrar que esse embalo deve ser sempre suave e respeitoso. A ideia não é sacudir ou agitar o bebê.
O movimento deve ser leve, contínuo e feito com cuidado, podendo ser no colo, em um sling, ou até mesmo com o bebê nos braços enquanto você caminha ou faz um leve balanço com o corpo.
Mantenha os membros do bebê fletidos
A terceira estratégia para acalmar o bebê recém-nascido envolve algo simples, mas muito poderoso: a flexão dos membros. Essa é a posição natural do recém-nascido, com pernas dobradas sobre a barriguinha e bracinhos flexionados, como se estivesse encolhido. E tem um motivo para isso: é exatamente assim que ele vivia no útero.
Ao segurar o bebê ou embrulhá-lo, é fundamental respeitar e favorecer essa posição encolhidinha. Nada de esticar braços e pernas. A flexão traz conforto, segurança e ajuda o bebê a relaxar.
É o que acontece, por exemplo, quando colocamos o bebê no sling em posição de “sapinho”, com as perninhas dobradas, ou mesmo quando o seguramos com carinho no colo, com os joelhos próximos ao tronco.
Uma boa dica é colocar o bebê com a barriguinha voltada para baixo, apoiado sobre seu antebraço, com as perninhas flexionadas e o corpinho bem acolhido. Essa posição, além de confortável, alivia a pressão abdominal e ajuda a acalmar.
A flexão é uma forma de mimetizar o útero e transmitir ao bebê a sensação de acolhimento profundo que ele conhecia antes de nascer.
Nada como um ambiente propício para acalmar o bebê
Se o seu bebê está chorando sem parar, com cólica, angustiado, ou chegou a hora da bruxa, aqui vai uma dica poderosa e simples: pegue seu filho no colo e o leve para perto da natureza.
Pode ser um quintal, uma varanda com plantas, uma praça arborizada ou até mesmo uma janela com uma vista verde. A presença de elementos naturais acalma não só o bebê, mas você também.
Muitas vezes, ficamos presas dentro de quartos escuros, tentando fazer o bebê dormir ou resolver uma crise de choro, quando o que ele realmente precisa é mudar de ambiente, ver outras cores, sentir o ar puro, ouvir o som das folhas balançando, perceber uma leve brisa.
Esse contato sensorial com a natureza é uma forma de distração suave e relaxante, tanto para a mente do bebê, que ainda está em desenvolvimento, quanto para a sua.
Lembre-se: esses momentos difíceis passam. Cólicas e choros intensos têm muita relação com a imaturidade do sistema nervoso do bebê, que vai amadurecendo com o tempo. Enquanto isso, oferecer um ambiente acolhedor e calmo, o mais próximo possível da natureza, pode fazer toda a diferença.
Investigue possíveis causas do desconforto do bebê
Às vezes, mesmo tentando todas as estratégias possíveis, o seu bebê pode continuar se sentindo desconfortável. Nesse caso, é importante parar e observar: será que tem algo a mais acontecendo?
Nem todo choro é hora da bruxa e nem tudo é cólica. Existem outras causas que podem provocar incômodo real no bebê e que merecem atenção. Entre elas, estão situações como:
- Refluxo gastroesofágico (quando o leite volta e causa queimação);
- Alergia à proteína do leite de vaca (APLV);
- Constipação ou dificuldades para evacuar.
Essas condições são comuns nos primeiros meses de vida e têm tratamento. Por isso, contar com o olhar atento de um pediatra é fundamental.
As estratégias que compartilhamos ao longo do texto ajudam muito e podem fazer parte do seu dia a dia, mas quando o choro parece além do normal, é sinal de que o seu bebê está querendo dizer algo. E nós, como mães, precisamos ouvir e buscar ajuda.
Para vivenciar a chegada do seu pequeno da maneira mais leve e proveitosa possível, conheça o livro “O ano de ouro”, um guia sobre os meses mais importantes da mãe e do bebê, que aborda temas como exterogestação, amamentação, puerpério e retorno ao trabalho. Depois da leitura, acalmar o bebê será uma missão muito mais leve e bem-sucedida.



