Se seu bebê está prestes a chegar e você quer saber como ter um parto rápido e natural para viver essa experiência da forma mais tranquila possível, há duas coisas que você precisa saber: a primeira é que, há sim, medidas eficazes que você pode colocar em prática para garantir as melhores condições para o parto. A segunda é que nenhum parto é igual ao outro.
Cada mulher tem uma história, cada corpo funciona de um jeito, e mesmo uma mesma mulher pode ter experiências completamente diferentes em partos distintos. E tudo bem! Existe um fator genético envolvido na duração do trabalho de parto e isso realmente não está sob nosso controle.
Mas também é verdade que algumas escolhas e atitudes podem facilitar muito o processo, funcionando como um manual prático sobre como ter um parto rápido e natural.
Uma mulher com “boa genética”, por exemplo, pode acabar enfrentando um parto demorado ou cheio de intervenções desnecessárias por conta de decisões mal orientadas.
Por outro lado, alguém com menos “facilidade natural” pode viver um parto rápido e transformador se tiver o preparo certo.
Falo isso com propriedade: sou médica e mãe de quatro crianças. Todos os meus partos foram normais e rápidos, sem analgesia. Três deles aconteceram de forma totalmente espontânea, sem qualquer intervenção. O último foi uma indução hospitalar por conta de uma infecção que precisei tratar, mas mesmo assim foi respeitoso e rápido.
Por isso, quero compartilhar com você algumas dicas valiosas, baseadas na minha vida e na minha prática médica, com milhares de famílias acompanhadas, para que você viva o seu parto da melhor forma possível. Se o seu desejo é ter um parto natural e mais rápido, leia com carinho cada um desses pontos e guarde o que fizer sentido para você.
Evite a internação precoce desnecessária
Essa é, sem dúvida, uma das atitudes que mais podem atrapalhar um propósito como ter um parto rápido e natural: correr para o hospital nos primeiros sinais de trabalho de parto.
Quando você vai para o hospital com apenas dois ou três centímetros de dilatação e contrações ainda leves e espaçadas, você se expõe a um ambiente que, mesmo com boas intenções, não é naturalmente favorável ao parto.
A luz branca e intensa, a movimentação de profissionais que você não conhece, aparelhos apitando, conversas paralelas, enfim, tudo isso pode te deixar mais tensa e insegura. E isso tem um impacto direto no andamento do trabalho de parto.
Além disso, a internação precoce cria uma expectativa de progresso. Existe ainda, por exemplo, uma ideia infundada de que o colo do útero “deve” dilatar um centímetro por hora.
Quando isso não acontece, a equipe pode começar a sugerir intervenções, como o uso de ocitocina, o rompimento da bolsa ou a analgesia precoce. Tudo isso para acelerar algo que, na verdade, poderia andar sozinho, no seu próprio ritmo.
Se estiver tudo dentro dos padrões esperados e o bebê estiver bem, você pode e deve esperar mais em casa (ou em algum outro ambiente onde você se sinta confortável e segura).
Uma boa possibilidade é a de chamar uma enfermeira obstétrica para te acompanhar nesse início, mas isso não é obrigatório. É apenas um recurso que você pode buscar se estiver dentro das suas condições.
O mais importante é não se apavorar com o início das contrações. Respire, se conecte com o seu corpo e confie no processo.
Quanto mais você espera em casa com tranquilidade, maiores são as chances de chegar ao hospital já em trabalho de parto ativo e evitar um ciclo de intervenções que podem prolongar e até dificultar o seu parto rápido e natural.
A partir do momento em que começa o trabalho de parto ativo (contrações com ritmo, dolorosas, que não melhoram com banho quente ou massagem, que acontecem numa frequência de 3 a 4 a cada 10 minutos) é importante você se direcionar ao local de parto — ou chamar sua equipe, caso esteja previsto um parto domiciliar. A literatura tem evidências robustas de que o parto deve ser acompanhado a partir do trabalho de parto ativo.
Além disso, vá ao hospital em caso de dúvidas ou de alterações da normalidade (visão turva, dor abdominal intensa, sangramentos ou qualquer outra alteração) ou ainda quando houver o rompimento da bolsa.
Crie um ambiente adequado ao trabalho de parto
Mesmo que o seu parto aconteça no hospital, é possível e necessário adaptar o ambiente para que ele favoreça a sua experiência.
O seu corpo precisa se sentir seguro, protegido e em paz para que o parto aconteça de forma mais rápida e natural. Isso não é papo de autoajuda, é fisiologia.
Pense comigo: o parto é um momento instintivo, regido principalmente pelos hormônios. A ocitocina, por exemplo, é o hormônio responsável pelas contrações. E ela só é liberada em ambientes em que o cérebro entende que está tudo bem, que não há ameaças.
Quando estamos tensas, com medo, em um lugar com muita luz, barulho ou pessoas estranhas, liberamos adrenalina. E a adrenalina bloqueia o funcionamento da ocitocina. Como resultado, as contrações diminuem, o colo do útero para de dilatar e o parto pode travar.
Podemos entender esse processo observando o comportamento dos animais. Cachorras, gatas e até leoas buscam locais escuros, silenciosos e protegidos para parir. E com as mulheres não é diferente.
Por isso, peça ajuda ao seu acompanhante para reduzir luzes, conversas e o entra e sai de pessoas no quarto. Se possível, feche a porta, mantenha o ambiente com o mínimo de interferência e garanta sua privacidade.
Explique seus desejos à equipe com antecedência ou com o apoio de alguém que possa fazer isso por você.
Cada pessoa a mais na sala de parto tem potencial para ampliar o tempo do trabalho de parto. Então cuide do seu espaço como quem prepara um ninho: com carinho, calma e proteção. Seu corpo vai agradecer e o seu bebê também.
Mantenha a livre movimentação
Se tem algo que pode realmente acelerar o trabalho de parto, é a movimentação livre. Mas infelizmente, em muitos hospitais, ainda vemos mulheres sendo mantidas deitadas, quase imobilizadas, por conta de protocolos antigos que não fazem mais sentido.
A verdade é que o seu corpo sabe o que fazer. Quando você se movimenta, caminha, agacha, fica de cócoras ou mesmo se balança suavemente, você está ajudando o bebê a descer, a se encaixar melhor na pelve e a pressionar o colo do útero para acelerar a dilatação.
Esse movimento ativa o reflexo de Ferguson, um mecanismo natural que acontece pela pressão da cabeça do bebê no colo do útero, e que libera mais ocitocina e intensifica as contrações.
Estar de pé aumenta a pressão da cabeça do bebê sobre o colo do útero, e isso faz o trabalho de parto avançar. Já deitada, essa pressão é muito menor. Por isso tantas contrações de treinamento acontecem quando a gente está andando ou ativa.
Durante o trabalho de parto, respeite sua vontade de se mexer. Se sentir que precisa agachar, vá em frente. Se quiser ficar de lado, tudo bem. Se quiser pendurar os braços em alguém e balançar o quadril, faça isso. Você é a protagonista do seu parto, e ele não tem que seguir um roteiro engessado.
Se a equipe tentar te restringir, questione. Se tudo estiver bem com você e com o bebê, não há motivo para ficar parada. Movimentar-se é uma das formas mais eficazes de colaborar com seu corpo — e tornar o parto mais fluido e rápido.
Para vivenciar uma gestação segura e um parto humanizado, você pode dedicar um tempo à leitura do meu livro “9 meses: um guia prático e baseado em evidências do positivo ao parto”. Nesse guia, você vai saber mais sobre como ter um parto rápido e natural e também vai aprender tudo sobre as fases da gravidez, os exames do pré-natal e como se preparar para a chegada do bebê.




